quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Desabafo

Eu poderia achar um milhão de definições mais para meros sentidos, se não fosse pela minha pouca presença de lucidez. De certo, não fosse por isso que me amarraria em uma blusa branca encardida e me jogaria num sala de paredes aconchegantes, talvez seja ainda muita lucidez para um louco. Então eu lhe diria milhões de versos estranhos, sem nexo, que vem da boca como se fosse oração de uma criança tão triste, fé automática, insanidade de momentos. E eu poderia me castigar por estar escrevendo coisas as quais ninguém achará sentido e que de nada há glória ou perdão, e se Deus ver o que eu escrevo, de certo, mandará um raio aqui; mas não faço por mal, é porque gosto e vejo sentido, que culpa tenho eu se não podes ver a alma que habita por tras das palavras?
E você me chamará de louca mesmo assim, talvez demente, um eufemismo apenas para acalmar todas as opiniões, mas sabes que nem me importo, desde que o mundo é mundo, nenhum humano é normal. Louco seria eu se robotizasse meus gesto e torna-se apenas mais um. 
E se me julgas, já não sei o que fazer com você! Ah meu Deus o que fazer? Esqueço-me que já não me escutas, mas deixe isso de lado e cá entre nós eu nunca fui um livro aberto para aqueles que me veem e leem o que escrevo!
Mas é segredo o que está entre eu e as palavras, foi um acordo de anjos, eu escreveria e eles dariam vida e alma para o que escrevo, e assim nasce, vive, cresce e evolui aquilo que tu ledes, tudo que há em mim, tudo aquilo que sou e que você ainda não entendeu !

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Passado nunca morre!

Acordou assustada, já se fazia um mês que sonhava com as mesmas pessoas e aquilo lhe frustrava, um homem velho de olhos verdes, pele flácida, cabelos compridos, ralos e grisalhos, lhe dava medo pensar nele, era um velho tão estranho, com ar tão malévolo que lhe arrepiava cada vez que pensava nele. Havia um homem com traços orientais, cabelos médios e bem negros, sempre usava um terno preto e tinha um ar de superioridade e de fato era atraente, não sabia porque, mas aquele homem lhe lembrava o que havia de mais mal na terra, pois ele mentia com os olhos, com o belo sorriso. O outro homem era o que mais lhe intrigava, no começo dos sonhos que ela tivera com eles, ele era assim como os outros, mal, de hábitos cruéis. Mas com o passar dos sonhos, ela conseguira quebrar a barreira que ele obtinha e ele se tornou mais amigável, ela sabia que ele estava fazendo algo errado, só podia  ser isto, sempre queria mata-la ou fazer qualquer mal a ela e aos amigos dela, chamou- o sempre de Daemon. Mas por trás daquilo tudo, havia um sentimento que ela cultivava sobre ele, ela sabia que ele também gostava dela. Mas naquela noite o sonhos fora tão estranho, Daemon ia embora com os outros como se fosse obrigado, pareciam discutir e depois daquilo nunca mais sonhou com eles, na verdade, depois daquilo, ela nunca mais sonhou.
Dois anos se passaram desde aqueles sonhos, mas ela ainda não esquecera aquele belo rapaz loiro de cabelos curtinhos, olhos azuis e ombros largos, nada fazia ela esquecer aquela barba mal feita, nada!
Aquela melancólica tarde de sexta feira, ela estava debruçada sobre a janela daquela casa azul, observava de longe a igrejinha de sua cidade. Já eram seis horas, o sol se punha e uma triste Ave Maria estava tocando no som da igreja. As gaivotas voavam sobre o céu laranja e rastros de nuvens brancas deixavam tudo tão mais tenebroso. Ela debruçada na janela, sem ânimo para nada, apenas sentia aquela brisa fria a bagunçar seus cabelos, e como se sentisse que estava em um sonho, uma sensação estranha de liberdade recaiu-se sobre o seu corpo, e ela abriu a porta e saiu pela rua. Andou em linha reta, as coisas pareciam tão irreais, as folhas secas voavam por volta dela, e logo o céu escureceu, num medo absoluto daquilo ela apenas mexeu com os lábios e soltou um pequeno gemido:
-Deus!
Então caiu no chão de joelhos, como se aquela palavra lhe tivesse tirado todas as forças e como se o chão aclamasse por ela. Levantou os olhos, e lá em frente a ela, os três homens estavam, o velho de cabelos compridos, o japonês de terno preto e o homem o qual nunca deixou de existir dentro dela. Não sabia se chorava ou se sorria, resolver rir entre meio as lágrimas, o homem loiro então abaixou-se pegou na mão dela:
-Está na hora de esquecer tudo, o homem o qual chamou não está olhando por você. Somos nós quatro apenas.
-Mas, como assim não olha por mim?
-Levante-se, de agora em diante temos todo o tempo do mundo para lhe explicar!
Ela então se levantou, olhou nos olhos dele e eles se beijaram, era o amor que havia atravessado as barreiras do imaginável e do não imaginavel. Eles então seguirão sem olhar para trás. O velho então virou-se, olhou para cidade vazia e sorriu.
Há uns metros dali, numa casa azul, atrás de uma janela, uma mãe chorava sobre o corpo da filha que morrera com um discreto sorriso no rosto e uma lágrima que ainda escorria pelo rosto pálido.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Senhora Morte II

E neste meio encanto, pedaço de vida, seria infame dizer que sonho é algo natural!
São palavras sem sentido, nexo ou contextos, são seres inanimados ganhando vida num simples papel de carta, são seres sendo levados por um envelope branco cheirando a flor...
Eu não lhes daria a vida, não lhes mostraria o caminho do sonho, nem por um segundo ou eternidade sequer...
E por mais que quem leia não entenda, eu entendo, sinto e observo que os mares não são os mesmos, e o mundo já não é mais meu...
São tão apocalípticos os silogismos que eu diria que fora Senhora que tivesse escrevido, se não notasse que os pingos nos i's são tão mais leves... tão mais suaves... E tal Senhora nunca fora tão pesada sua consciência!

Senhora Morte I

Acha que eu deveria parar de sonhar só para por os pés nos chão?
Acha que eu deveria deixar de viver parar morrer?
Acha que eu deveria parar de ser para não mais existir?
Acha que eu devia escrever para que matasse este meu ser aqui dentro?
Acha que devo acreditar em Deus para ter fé?
Acha que devo estar em pé para manter autoridade?
Acha que devo andar de cabeça erguida para mostra-lhe força?
                                    Não, eu sou, o meu SER, e nada fará ser diferente,
      nem se eu parar de existir, 
                                                         o meu SER ainda habitará cada homem nesta terra...

Grito

Para quem declamar poemas de amor, se o amor que era já não é mais,
o amor de hoje já não se chama amor, agora é só futilidade?
Para que acalentar-me nos braços de alguém, se esse alguém já não é o mesmo,
se o mundo já lhe mudara e transformara em outro ser o qual não conheço?
Para que sentir frio, se o calor desta existência já me queima por dentro,
se apenas existe o frio da angustia e te-la, nada me fará bem?
Para que gritar a felicidade, se ela já não é a mesma felicidade de antes,
se esta felicidade não passa de acomodação?
Para que realizar um sonho, se o sonho já não é mais sonho,
se o imaginar já não é idealizado?
Para que chorar de dor, se a dor é algo relativo,
se a dor já não dói tanto quanto o pensar?
Para que escrever versos, poemas e prosas, se ninguém irá ler,
se ler já não entenderá?
De que vale a palavra se não acompanhada de amor, de inspiração em alguém, de sentidos, de sentimentos?
De que vale a palavra se são só palavras? De que vale?
Sim eu grito, eu grito por que sentir me faz ser!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Amor doentio

-Eu te amo!
-Não me importo! Eu amo outro!
-Mas ele não te ama como eu te amo!
-Sim, ele me ama mais, ele não quer que eu me mate, ele não me julga!
-Mas ele não te conhece como eu conheço.
-Não me importo, você acha que quero passar minha vida contigo? Não, eu não quero!
-Você passou a vida toda comigo, sempre fomos felizes juntos!
-Mas minha vida não é só você, há outras coisas além de você as quais eu quero viver, já disse deixe-me!
-Mas e eu? O que farei sem você aqui?
-Eu sempre estarei aqui, você nunca ficará sem me ver, eu estarei em você e você estará em mim, entenda!
-Mas eu te quero só pra mim! Eu sou egoísta te quero só pra mim, você é só minha, você é que tem que entender!
-Não, eu arranjei alguém que me ame, e eu o amo, eu continuo te amando, é inevitável não te amar, mas é que seu amor é nocivo... Você tem que abrir a mente para outras coisas! Ele também te fará bem! - ela passou a mão sobre os cabelos, num gesto de desespero e pôs-se a chorar.- Entenda, além de você há muitas outras coisas a se viver, por favor! Se você me ama, me deixe viver, assim nós viveremos felizes!
-Levante-se do chão, por favor! Eu te amo, então, deixarei você viver com ele, se isso fazer sua felicidade! Mas se ele não te fizer feliz, você sabe onde me encontrar!
Ela se levantou, olhou para frente, estava em frente ao espelho quebrado do quarto vazio, falando consigo mesma, eram duas, se amavam, o quarto? O lugar de encontro das duas amantes, egoístas o bastante para quererem uma a outra apenas para si! O seu eu que se manifestava, o seu eu que amava a si própria, no amor mais doentio da história!

Transitoriedade

Confesso que seria complexo, sem nexo e contexto descrever o ser, se o coração que nele bate, é infame, e eu não seria abstrata o bastante para atribuir-lhe os sonhos, os medos. Poderia então poder me chamar de Senhora Morte, impiedosa e cruel, por matar-lhes os sentimentos humanos, ao pensar que em um papel eu pudesse descrever tal natureza infame que és. E então pudera perguntar:
-Senhora morte, se já mataste meu peito, porque não matastes minha mente e levastes meu corpo ao mais profundo calor da terra?
Eu dissera então com a boca seca, lábios púrpura, morte sem vida:
-E já não vede que estás onde queria? Matei tua vida, teu ser, tua essência, sobraste com a matéria, com a carne, e apodrecerá aqui, diante terra, morros e seres, mostrará que viestes para o coração, para ser. Então os seres saberão que mais que mente e de razão, um ser é feito! Pensarás que sou má, impiedosa por te deixar viver morto, sem peito, sem coração, sem sentimentos, pura e pecadora carne movimentando-se como larvas; mas ei que lhe digo homem, não sou má, a morte veio para abrir-lhes os olhos dessa vossa transitoriedade!
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